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Antes do treino, Carla olhou a própria caixa. A de Amora era o modelo mais comum: plástico rígido, uma porta de grade na frente e a tampa presa à base por travas laterais. Servia, desde que mudasse a forma de uso.
Ela listou o que, numa caixa, facilita ou atrapalha o gato e a consulta.
A tampa removível. É o item que mais muda o atendimento. Com a tampa solta, a veterinária examina o gato dentro da metade de baixo, deitado sobre a própria manta, sem precisar puxá-lo pela porta. A caixa de Amora tinha travas laterais e permitia o procedimento, mas Júlia nunca tinha soltado.
A porta de cima. Modelos com uma segunda abertura no teto deixam colocar o gato por cima, com as patas para baixo, sem a cena das patas abertas travando na borda.
O tamanho. O gato precisa conseguir ficar em pé, virar o corpo e deitar esticado. Caixa grande demais não ajuda: no carro, o gato escorrega de um lado a outro a cada curva.
O piso. Uma manta ou toalha já usada pelo gato, com o cheiro dele e da casa, vai no fundo. Por baixo, um tapete higiênico para o caso de xixi no trajeto.
O lugar. Quanto mais tempo a caixa passa no armário, mais forte fica o cheiro de fechado, que é o primeiro aviso.
As diretrizes de manejo amigável ao gato publicadas em 2011 pela Associação Americana de Clínicos de Felinos e pela Sociedade Internacional de Medicina Felina, no Journal of Feline Medicine and Surgery, recomendam exatamente esse arranjo: caixa de tampa removível, deixada em casa como parte da mobília, e exame feito com o gato na metade de baixo sempre que possível.
Em 2018, a pesquisadora Lena Pratsch e a equipe da Universidade de Medicina Veterinária de Viena publicaram, na revista Applied Animal Behaviour Science, um experimento com gatos treinados para entrar na caixa em casa antes de uma consulta simulada. Os gatos treinados chegaram mais calmos à clínica e aceitaram o exame com menos resistência do que os que não passaram pelo treino.
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Um treino de duas semanas em casa mexe no comportamento do gato dentro do consultório.
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O cuidado com o carro entra na mesma lista. A caixa vai presa pelo cinto no banco de trás ou no assoalho, nunca solta no banco. Uma toalha sobre a grade reduz o que o gato vê pela janela. E o borrifo de feromônio sintético na manta, quinze minutos antes de colocar o gato, ajuda alguns gatos a ficarem mais quietos.
Carla deixou com Júlia os sinais de que o medo do transporte passou do ponto e pede conversa com a veterinária antes da próxima viagem:
• Xixi ou cocô na caixa em todos os trajetos.
• Vômito ou baba durante o caminho.
• Respiração de boca aberta, que em gato é sinal de estresse alto.
• Gato que segue escondido no dia seguinte à volta.
Nesses casos, existe remédio de uso pontual, dado em casa horas antes da saída, receitado só depois de exame e conforme o peso do animal.
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