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A comparação começa pela faixa de peso. Pipeta, comprimido e coleira para gato trazem na caixa o intervalo de peso para o qual a dose foi calculada, e a bula manda usar a faixa que contém o peso atual do animal. Um gato de 7,1 quilos cai, em muitos produtos, na apresentação para gatos grandes, mais cara que a do gato médio.
O erro mais comum na prateleira é tentar economizar com a caixa menor. Duas pipetas de gato pequeno somadas não equivalem a uma de gato grande, porque a concentração e o volume foram pensados para uma aplicação só. A bula não autoriza a soma, e Juliana desaconselhou de saída.
O passo seguinte é trocar a pergunta. Em vez de perguntar quanto custa a caixa, o tutor pergunta quanto custa cada dia de gato protegido. A fórmula cabe numa linha: preço da caixa dividido pelos dias de proteção, vezes 30. O resultado é o custo mensal real.
Juliana montou a conta com preços redondos, próximos dos que Rafael encontrou nas lojas de Porto Alegre naquela semana. Os preços mudam de loja para loja, mas a lógica da divisão serve para qualquer etiqueta.
• Pipeta mensal para gato grande, R$ 75 a unidade: protege 30 dias e custa R$ 75 por mês.
• Pipeta de longa duração, R$ 210 a unidade: protege 12 semanas (84 dias) e custa cerca de R$ 75 por mês.
• Comprimido mensal para gato grande, R$ 85 a unidade: protege 30 dias e custa R$ 85 por mês.
• Coleira de liberação lenta, R$ 260: protege 8 meses pela bula (cerca de 240 dias) e custa perto de R$ 32 por mês.
Na etiqueta, a coleira parece a mais cara. Na conta por dia, sai por menos da metade do preço mensal das outras. A pipeta de R$ 75 e a de R$ 210, tão diferentes no caixa, empatam quando divididas pelos dias.
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Antipulgas se compara por dia de proteção, nunca pelo preço da caixa: a etiqueta mais cara da prateleira pode fechar o mês mais barato.
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A conta ainda precisa de um ajuste, o rendimento real. Rendimento aqui é quantos dias a dose protegeu de fato, e não quantos a bula promete. Três situações derrubam o número no apartamento.
A primeira é a coleira perdida. Gato que se coça muito ou passa por grade solta a coleira, que tem trava de segurança feita para abrir quando prende. Coleira de R$ 260 que some no terceiro mês sai a quase R$ 87 por mês, mais cara que todas as outras opções.
A segunda é o comprimido cuspido. Gato desconfiado guarda o comprimido na bochecha e larga atrás do sofá. Sem ver o gato engolir, o tutor paga a dose e não recebe a proteção.
A terceira é o banho. A pipeta depende da gordura natural da pele para se espalhar, e banho perto da aplicação lava parte do produto. A bula costuma pedir alguns dias de intervalo entre banho e pipeta.
Rafael também perguntou sobre o produto de cachorro, mais barato e vendido em embalagem maior. Juliana cortou a ideia na hora. Muitos antipulgas de cão levam permetrina (um inseticida da família dos piretroides), que o fígado do gato não consegue eliminar direito e que provoca tremores e convulsões. A organização britânica International Cat Care mantém alerta permanente contra o uso desses produtos em gatos.
No caso de Carvão, a conta apontou a coleira, desde que ele não a perdesse. Como Rafael não tinha certeza, Juliana sugeriu um teste: comprar a coleira e conferir o pescoço do gato toda manhã durante o primeiro mês.
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