In partnership with

Diário do Gato   Diário do Gato
ED 036
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

A gata de 4,5 kg marcou 7 na escala de 9

A balança não separa osso de gordura. A mão nas costelas e a fita na barriga dão a nota corporal que o tutor lê em casa.

Mãos de tutora apalpando as costelas de uma gata cinza.

A mão nas costelas lê o que a balança não mostra

▼
 

Quinta, cinco da tarde, num consultório só de felinos em Boa Viagem, no Recife. A gata cinza sai da caixa de transporte devagar, cheira a mesa de inox e senta. A tutora já chega com o número pronto na boca: quatro quilos e meio, igual ao ano passado.

Ela fala com orgulho. Para quem mora com gato, peso que não muda soa como saúde. Nenhum sinal de doença, nenhuma perda, nenhum susto. A ficha da vacina anterior traz o mesmo valor, escrito à caneta.

A veterinária confirma o número na balança da clínica e quase não olha para o visor. Põe as duas mãos abertas sobre o tórax da gata, os polegares na coluna, os dedos descendo pelas laterais. Desliza devagar, para frente e para trás, como quem procura uma tecla no escuro.

Depois olha a gata de cima, em pé, com ela parada no chão. Procura uma curva atrás das costelas, o ponto onde o corpo deveria afinar antes do quadril. Em seguida, olha de lado, para a linha da barriga.

A tutora espera uma frase sobre o peso estável. Ouve outra: as costelas estão lá, mas a mão precisa apertar para encontrar.

Quatro quilos e meio cabem num gato magro e num gato gordo. Um macho grande, de ossatura larga, pode estar no ponto com esse valor. Uma fêmea pequena, de patas finas, pode carregar quase um quilo de gordura sobrando com o mesmo número no visor.

A balança mede o bicho inteiro, sem separar osso, músculo, água e gordura. Ela responde quanto o gato pesa. Não responde se o peso está no lugar certo.

A resposta que faltava veio em forma de nota, de um a nove, lida com as mãos. A escala tem dono, data e critério escrito, e qualquer tutor aprende a usar na sala de casa.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Tackle your credit card debt by paying 0% interest until nearly 2028

If you have outstanding credit card debt, getting a new 0% intro APR credit card could help ease the pressure while you pay down your balances. Our credit card experts identified top credit cards that are perfect for anyone looking to pay down debt and not add to it! Click through to see what all the hype is about.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Que Ele Esconde

As costelas debaixo da mão

Pipoca Andrade Lins, gata cinza sem raça definida, castrada, seis anos, mora com Juliana Andrade Lins num apartamento das Graças, no Recife. Tem ossatura miúda, patas finas e cabeça pequena. Pesa quatro quilos e meio desde os quatro anos.

A veterinária Carla Menezes Paiva, que atende só gatos numa clínica de Boa Viagem, anotou na ficha um número diferente do peso: sete. Ao lado, entre parênteses, escreveu a escala usada, nove pontos.

A escala de condição corporal (nota que mede a gordura do corpo pelo olho e pelo tato) foi descrita para gatos em 1997 por Dorothy Laflamme, nutricionista veterinária da Nestlé Purina, na revista Feline Practice. Ela vai de um, o gato muito magro, a nove, o gato obeso. O ponto ideal fica no cinco.

Em 2011, o Comitê Global de Nutrição da WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais) publicou diretrizes de avaliação nutricional, no Journal of Small Animal Practice, que pedem a nota corporal em toda consulta, junto do peso. A tabela da WSAVA traz as nove faixas desenhadas, com o gato visto de cima e de lado.

A nota se apoia em três leituras, sempre nesta ordem.

Costelas. No gato cinco, a mão encontra cada costela com uma camada fina de gordura por cima, sem apertar. No sete, as costelas só aparecem com pressão. No nove, a mão não acha osso nenhum.

Cintura. Visto de cima, o gato cinco afina um pouco atrás das costelas. No sete, a cintura quase some e o corpo vira um tubo. No nove, o contorno se alarga para os lados.

Barriga. Visto de lado, o gato cinco tem uma bolsa de gordura pequena embaixo da barriga. No sete, a barriga arredonda e a bolsa cresce. No nove, a bolsa balança quando o gato anda.

Para quem nunca palpou um gato, Carla ensinou o truque da própria mão. Feche a mão e passe os dedos da outra sobre o dorso dela, nos ossos que ligam aos dedos: a sensação lembra as costelas do gato ideal. Os nós dos dedos, salientes, lembram o gato magro demais. A palma aberta, macia, sem osso à vista, lembra o gato acima do peso.

Costela que só aparece quando a mão aperta é gordura que a balança registrou como peso normal.

Laflamme mediu o que cada ponto representa. No estudo de 1997, cada ponto acima do cinco correspondeu a um excesso de dez a quinze por cento sobre o peso ideal. Pipoca, com nota sete, carregava algo entre vinte e trinta por cento a mais do que o corpo dela pedia.

Na conta de Carla, o peso ideal de Pipoca ficava entre três quilos e meio e três quilos e setecentos. O número estável da ficha era estável no lugar errado havia dois anos.

 
 

II  Painel da Caixa

A fita na altura do umbigo

Carla não mandou Juliana comprar nada caro. Pediu uma fita métrica de costura, dessas de plástico mole, e uma folha colada na porta da geladeira.

A fita entra onde a balança falha. A circunferência (a volta inteira do corpo, medida com a fita) mostra onde a gordura se acumula. No gato, ela se junta primeiro na barriga e na região lombar, e só depois aparece no rosto e nas patas.

A ideia tem base. Em 2000, Alison Hawthorne e Richard Butterwick, do Centro Waltham de Nutrição Animal, publicaram no Journal of Veterinary Internal Medicine um índice que estima a gordura do gato com duas medidas de fita: a volta do tórax na altura da nona costela e o comprimento da pata traseira, do joelho ao calcanhar. O índice ganhou o nome de FBMI (índice de massa corporal felino).

O cálculo do índice fica com o veterinário. A medida da barriga, Juliana aprendeu a tirar sozinha, com a gata em pé:

1. Escolha o horário fixo, antes da primeira refeição, com a gata calma e em pé, sem estar deitada nem esticada.

2. Passe a fita em volta da barriga, logo atrás da última costela, no ponto mais estreito do corpo.

3. Ajuste a fita rente ao pelo, sem apertar a pele. Um dedo deve passar por baixo com folga.

4. Anote o número e repita a medida uma segunda vez. Se as duas discordarem por mais de um centímetro, meça a terceira.

5. Faça a palpação das costelas logo depois e escreva a nota de um a nove ao lado da medida.

A medida de Pipoca no primeiro dia deu quarenta e três centímetros. O número sozinho diz pouco, porque cada gato tem o seu tamanho. O valor dele está na repetição: a mesma fita, no mesmo ponto, uma vez por mês, conta se a barriga cresce, para ou diminui.

A fita mede o mesmo gato contra ele próprio, mês após mês, e a gordura da barriga aparece antes de pesar na balança.

Havia uma pegadinha, e Carla avisou logo. Muitos gatos têm uma prega de pele solta embaixo da barriga, perto das patas traseiras, que balança quando eles andam. O nome é bolsa primordial (dobra de pele que protege o ventre em brigas e dá folga para o salto). Ela aparece em gatos magros também, e algumas raças, como o mau egípcio, têm a prega bem marcada.

A diferença está no toque. A bolsa primordial é pele mole, que se dobra entre os dedos como um pano. A gordura é firme, cheia, e continua pela barriga inteira. Por essa razão, a fita passa atrás da última costela, acima da prega, e nunca no ponto mais baixo da barriga.

Juliana manteve a folha na geladeira com três colunas: data, centímetros e nota da mão. A balança saiu da rotina mensal da casa. Ficou para as consultas.

 
 

III  Mapa do Território

Do sete ao cinco na escala

A nota sete não era só estética. Em 1998, Janet Scarlett e Susan Donoghue, da Universidade Cornell, publicaram no Journal of the American Veterinary Medical Association um levantamento com mais de mil gatos atendidos em clínicas do estado de Nova York. Os gatos obesos tinham 3,9 vezes mais chance de desenvolver diabetes e 4,9 vezes mais chance de mancar.

A explicação está na gordura em si. O tecido gordo libera substâncias inflamatórias e torna o corpo menos sensível à insulina (hormônio que leva o açúcar do sangue para dentro das células). As articulações, por outro lado, carregam o excesso em cada salto do sofá para o chão.

Carla montou o plano de Pipoca em cima da nota, sem olhar para a balança da casa. A ração passou a ser medida com a colher que veio na embalagem, calculada para o peso ideal, nunca para o peso atual. A tigela cheia o dia todo saiu da cozinha.

Juliana dividiu a porção em quatro pequenas refeições. Duas delas foram para dentro de um brinquedo de petisco, uma bola furada que a gata precisa rolar para soltar os grãos. Pipoca passou a caçar parte da própria comida.

Carla deixou um alerta escrito na ficha. Gato acima do peso nunca pode ficar sem comer para emagrecer rápido. Em jejum, o corpo manda gordura demais para o fígado, que não dá conta de processar, e surge a lipidose hepática (acúmulo de gordura no fígado, grave no gato). A perda tem de ser lenta e guiada pelo veterinário.

Gato gordo em jejum corre mais risco do que gato gordo comendo a porção certa.

A folha da geladeira contou a evolução. No terceiro mês, a fita marcou quarenta e um centímetros. A mão de Juliana passou a achar as costelas sem apertar. Carla reavaliou e deu a nota seis.

No sexto mês, a cintura reapareceu vista de cima, uma curva discreta atrás das costelas. A fita marcou trinta e nove e meio. A nota subiu para o ponto certo: cinco.

Só no fim desse trajeto a balança voltou à conversa. Pipoca pesava três quilos e setecentos. O número que Juliana repetia com orgulho no consultório estava oitocentos gramas acima do corpo da gata.

A folha segue na geladeira, agora com a palpação a cada mês e a fita a cada dois. A nota cinco virou o número que a casa acompanha.

Ponha a mão nas costelas e a fita na barriga: a nota de um a nove diz se o peso do gato está no lugar certo.

“Ao passar a mão nas costelas do seu gato agora, você sente cada osso ou precisa apertar?”

 
 
 
Quiz da edição

O estudo de Cornell, publicado em 1998 com mais de mil gatos, encontrou que os obesos tinham quantas vezes mais chance de desenvolver diabetes, em relação aos gatos no peso ideal?

A2,9 vezes mais chance
B3,9 vezes mais chance
C4,9 vezes mais chance
D5,9 vezes mais chance

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🐈🐈🐈🐈🐈  ótima 🐈🐈🐈🐈  boa 🐈🐈🐈  ok 🐈🐈  ruim 🐈  péssima
 
Recomendação de Newsletter
Notas do Café

Notas do Café

Às 08:08 na sua caixa: o grão, o preparo e o equipamento certo pra tirar mais da sua próxima xícara. Sem frescura, com origem.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 14/10, 15h30

A Terceira Pálpebra →
B Verme da Lagartixa →
C Onicectomia Proibida no Brasil →
D Dois Dias Sem Fezes →
 
 
 

O gato esconde. Você já sabe ver.

Diário do Gato

DIÁRIO DO GATO

O que o gato esconde, a edição revela

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter