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Pipoca Andrade Lins, gata cinza sem raça definida, castrada, seis anos, mora com Juliana Andrade Lins num apartamento das Graças, no Recife. Tem ossatura miúda, patas finas e cabeça pequena. Pesa quatro quilos e meio desde os quatro anos.
A veterinária Carla Menezes Paiva, que atende só gatos numa clínica de Boa Viagem, anotou na ficha um número diferente do peso: sete. Ao lado, entre parênteses, escreveu a escala usada, nove pontos.
A escala de condição corporal (nota que mede a gordura do corpo pelo olho e pelo tato) foi descrita para gatos em 1997 por Dorothy Laflamme, nutricionista veterinária da Nestlé Purina, na revista Feline Practice. Ela vai de um, o gato muito magro, a nove, o gato obeso. O ponto ideal fica no cinco.
Em 2011, o Comitê Global de Nutrição da WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais) publicou diretrizes de avaliação nutricional, no Journal of Small Animal Practice, que pedem a nota corporal em toda consulta, junto do peso. A tabela da WSAVA traz as nove faixas desenhadas, com o gato visto de cima e de lado.
A nota se apoia em três leituras, sempre nesta ordem.
Costelas. No gato cinco, a mão encontra cada costela com uma camada fina de gordura por cima, sem apertar. No sete, as costelas só aparecem com pressão. No nove, a mão não acha osso nenhum.
Cintura. Visto de cima, o gato cinco afina um pouco atrás das costelas. No sete, a cintura quase some e o corpo vira um tubo. No nove, o contorno se alarga para os lados.
Barriga. Visto de lado, o gato cinco tem uma bolsa de gordura pequena embaixo da barriga. No sete, a barriga arredonda e a bolsa cresce. No nove, a bolsa balança quando o gato anda.
Para quem nunca palpou um gato, Carla ensinou o truque da própria mão. Feche a mão e passe os dedos da outra sobre o dorso dela, nos ossos que ligam aos dedos: a sensação lembra as costelas do gato ideal. Os nós dos dedos, salientes, lembram o gato magro demais. A palma aberta, macia, sem osso à vista, lembra o gato acima do peso.
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Costela que só aparece quando a mão aperta é gordura que a balança registrou como peso normal.
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Laflamme mediu o que cada ponto representa. No estudo de 1997, cada ponto acima do cinco correspondeu a um excesso de dez a quinze por cento sobre o peso ideal. Pipoca, com nota sete, carregava algo entre vinte e trinta por cento a mais do que o corpo dela pedia.
Na conta de Carla, o peso ideal de Pipoca ficava entre três quilos e meio e três quilos e setecentos. O número estável da ficha era estável no lugar errado havia dois anos.
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