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O tratamento começou pela tireoide e pela pressão, ao mesmo tempo. Renata receitou metimazol (remédio que freia a produção do hormônio da tireoide) em gel aplicado na parte interna da orelha, porque Tobias cuspia comprimido. Para a pressão, receitou anlodipino (remédio que relaxa as artérias), em comprimido escondido num petisco pastoso.
Para a dor, ela pesou o rim antes de escolher. Com a creatinina no limite, deixou de lado os anti-inflamatórios comuns e indicou o frunevetmab (anticorpo injetável contra a dor da artrite), aplicado na clínica a cada quatro semanas.
A outra metade do plano ficou com Helena, dentro do apartamento:
1. Acenda uma luz noturna fraca no corredor e outra perto da caixa de areia. Gato com visão afetada se orienta melhor com um ponto de luz fixo.
2. Coloque degraus ou uma banqueta baixa ao lado da cama e do sofá, para ele subir sem salto.
3. Troque a caixa de areia por uma de borda baixa, de até dez centímetros, fácil de entrar com joelho dolorido.
4. Ponha uma segunda tigela de água e uma segunda caixa perto do quarto, para encurtar o caminho noturno.
5. Faça uma sessão de brincadeira calma e ofereça uma refeição pequena antes de dormir. Gato que gasta energia e come à noite tende a dormir mais horas seguidas.
6. Não brigue com o miado. Um gato que enxerga mal e sente dor chama porque está desorientado, e a bronca aumenta o estresse.
Helena marcou o retorno para a terceira semana, como Renata pediu. A pressão de Tobias tinha caído para 150. O T4 desceu para dentro da faixa normal no exame da sexta semana, e as manchas de sangue no olho esquerdo foram absorvidas. Ele recuperou cento e oitenta gramas.
O caderno da cozinha registrou a mudança. Na segunda semana de remédio, os miados caíram para três madrugadas. Depois da segunda injeção para dor, Tobias voltou a dormir no pé da cama até as seis. Nas últimas quatro semanas anotadas, o corredor ficou em silêncio.
Duas perguntas ficaram em aberto, e Renata as disse com todas as letras. O rim de Tobias segue no limite, e ninguém sabe se ele vai piorar nos próximos anos: o controle é exame de sangue e pressão a cada três meses. E a disfunção cognitiva não foi descartada para sempre, só deixou de ser necessária para explicar o miado. Se o gato voltar a chamar de madrugada com pressão e tireoide controladas, ela volta à lista.
A vizinha de baixo mandou outro bilhete, agradecendo o silêncio.
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Antes de pedir paciência ao gato idoso que mia de madrugada, peça pressão, sangue e um exame das juntas.
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“Seu gato idoso mudou algum hábito de noite nos últimos meses, e alguém já mediu a pressão dele?”
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