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Helena desenhou para Tatiana um quadro com três cenas, todas do mesmo persa. A diferença entre elas está no que veio antes, em quanto tempo passa e no corpo inteiro do gato, nunca no barulho sozinho.
Primeira cena, o ronco de sofá. Algodão dorme ou descansa, ronca alto, às vezes ronca acordado. A boca fica fechada, a barriga sobe e desce num ritmo calmo, e ele acorda, se espreguiça e come normalmente.
Segunda cena, o ofego de depois da brincadeira. Algodão correu atrás da varinha de pena por três ou quatro minutos e para no meio da sala de boca aberta, língua para fora. Num gato de focinho achatado, o ofego chega mais cedo e dura mais que num gato comum, porque o nariz estreito não dá conta do ar extra.
O critério que Helena passou foi o relógio. Depois de parar a brincadeira, o persa deve fechar a boca em poucos minutos, num cômodo fresco. Ele se deita, o ronco volta ao tom de sempre, e em seguida se lambe ou vai ao pote de água. Esse ofego é cansaço, e a regra prática é encerrar a sessão de brinquedo mais cedo nos dias quentes.
Terceira cena, a boca aberta sem esforço. Algodão não brincou. Está numa caixa, num carro quente, num quarto sem ventilação ou depois de um banho de secador. Mesmo assim respira de boca aberta, com o pescoço esticado e os cotovelos para fora, a postura de quem tenta abrir o peito para puxar mais ar.
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Boca aberta que aparece no calor, sem brincadeira antes, e não fecha quando o gato para é sinal de que o radiador do persa perdeu a corrida contra a temperatura.
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Helena listou os sinais que costumam vir junto nessa terceira cena:
• Gengiva e língua de um vermelho mais escuro que o habitual, ou arroxeadas.
• Baba grossa no canto da boca, sem relação com comida.
• Inquietação seguida de prostração: o gato tenta sair da caixa e, depois, desaba de lado.
• Vômito ou andar cambaleante, quando o gato consegue sair.
A International Cat Care, organização britânica dedicada à saúde felina, alerta que gatos de face achatada toleram mal o calor e devem ser poupados de esforço e viagem nas horas quentes. A entidade trata a insolação no gato como emergência, porque o quadro piora rápido depois que o gato perde a capacidade de se resfriar.
Tatiana perguntou se dava para esperar o trânsito andar quando a terceira cena aparece. Helena respondeu que não. Sem esforço antes, a boca aberta no calor pede ação imediata: tirar o gato do ambiente quente, refrescar o corpo e seguir para o veterinário mais próximo, mesmo que ele melhore no caminho.
Para a segunda cena, a resposta muda. O ofego que nasce da brincadeira e some em poucos minutos permite esperar, observando. Se a boca continuar aberta depois que o gato já se deitou num lugar fresco, a cena deixou de ser a segunda e virou a terceira.
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